domingo

¿Cuántas veces se puede hablar de amor?








As pessoas quando se juntam, jantam e riem e conversam bebendo, falam sobre o amor. Falam sempre sobre o amor. Acabam sempre por falar de amor, seja de que forma for: Escancarada ou camuflada. É sempre o amor.
Observo. Intervenho. Falo sobre amor, camufladamente. Não sei falar de amor entre copos e gargalhadas de outra forma que não a camuflada, ironizada. Aquela forma de falar de amor de quem tem tudo sobre controlo. Amor-sobre-controlo. Acho piada ao desafio de menosprezar o Amor. Afinal menosprezo [tento] o mais poderoso sentimento do mundo. Uma arma [dizem]. Eu digo. Eu digo que não. Por vezes também digo que sim, mas normalmente, como sou do contra, digo que não. Gosto de analisar as reações ao meu Não, ao meu Não-Amor, ao meu Amor, não! Depende do amor. Depende.
Os homens quando se juntam primeiro falam de futebol. Virilidade. Mas atenção, os homens também já falam de depilação. Virilidade. Depois, camufladamente falam de gajas e da sua incapacidade de ver a mulher por trás da gaja que provavelmente já amam, sempre amaram ou amarão, mas gajo que é gajo não ama às primeiras. Eu digo que não, mas também digo que sim. Virilidade. Finge. Pinta-se de camuflado e esconde-se entre as silvas. [não se quer picar, muito menos sangrar – picando-se os homens sangram sempre mais…] Entre os verdes do camuflado vão espreitando o amor. Tentam apanhá-lo a jeito. Apanhando ali ficam a jeito de amar, a jeito de homem que ama.

As mulheres quando se juntam, primeiro até podem falar das unhas, mas depois, logo a seguir à manicure e à depilação, falam sempre sobre o amor. É sempre de amor que as mulheres falam. Podem estar uma noite inteira a falar de amor: silvas, campos de guerra ou de batalha, bosques encantados, trevas obscuras, por-de-sois, mar. Amar. Nuas. Vestem o camuflado que melhor lhes assenta e mostram-se nas silvas. Picam-se, vezes sem conta, sangram, mas falam sempre de amor. Põe-se a jeito, a jeito de amar, a jeito de mulher que ama.
Eu digo que não, mas também digo que sim.
Esta coisa de falar sempre de amor é cansativa, porque por vezes pode-se não ter tema de conversa e, no segundo silencioso desta constatação, perceber-se o vazio do coração. Não o sentimos numa sentença ou condescendência, como espelham os olhares à nossa frente, mas antes como uma oportunidade. A oportunidade de sermos. E sermos é tão importante como o amor. Amar. Podemos amar-nos simplesmente, porque aprendemos que não amando ninguém, amamo-nos e isso só acontece, só pode acontecer com a oportunidade de sermos. EU.

(Leido en Obvious)